Um corpo que dança, é um corpo divinamente livre.

“Eu só poderia acreditar em um deus que soubesse dançar.” (Friedrich Nietzsche)

Nietz associa Deus com a dança, com a leveza, vitalidade, espontaneidade… como uma forma viva de existência e espiritualidade. Contraponto à ideia de um deus punitivo, rígido, baseado em culpa e sofrimento.

Uma opinião pessoal: eu amo perceber como ideias, filosofias, formas de viver, vão se costurando… e acessam sabedorias muito parecido em diferentes culturas, tempos e territórios. Me encanta perceber a materialização do campo das ideias, de um inconsciente coletivo, atravessando civilizações, tempos e espaços. ❤️‍🔥

E muitas culturas e civilizações, viveram essa ideia de Nietz, profundamente. E usaram/usam a dança como forma de manter saberes vivos, de expressar identidade, de se conectar com a existência.

  • No hinduísmo, há Shiva Nataraja, o deus que dança a criação e a destruição do universo.
  • Os povos indígenas que encontram no passo e no compasso uma forma de celebrar, curar, pertencer.
  • No sufismo, a dança é um caminho espiritual.

A dança sempre esteve presente na humanidade. Porque a dança é uma forma viva de habitar o corpo.

Um corpo que dança é um corpo que sente a vida chegando em si e expressa.

Mas a cultura moderna, ocidental, fez um trabalho sujo de associar o corpo, a dança, o prazer… a algo errado, pecaminoso.

E não precisa ir na linha do tempo muito longe assim, para constatar:

Mulheres, denominadas de bruxas, foram perseguidas, torturadas, queimadas… por viverem conectadas ao seu corpo, ao movimento, à sua expressão.

E isso tem um nome: controle.

Controle dos corpos femininos.

Porque para toda opressão se sustentar, é preciso deturpar as fontes de poder de uma cultura.

E o corpo… é uma dessas fonte de poder.

Um corpo vivo é um corpo que sente. E um corpo que sente… não é fácil de controlar.

As fogueiras cessaram externamente. Mas internamente ela continuou. Porque essa forma de controle foi sendo internalizada.

E então já não era mais preciso perseguir de fora… quando começamos a nos podar por dentro, a se ajustar, a se vigiar cada vez mais.

E aí começam as regras:

  1. não seja demais… mas também não seja de menos.
  2. não fale muito… mas também não seja calada.
  3. seja sexy… mas sem ser vulgar.
  4. se usa 34 é magra demais, mas se usa 40 já se passou.

E tantas outras que nem sempre são ditas, mas sentimos o peso no corpo.

Sempre tem algo dizendo como você deve ser. Sempre tem um molde.

E no meio disso tudo… o corpo vai sendo hiper controlado, exageradamente disciplinado… e principalmente anestesiado.

Uma mulher pode estar funcionando perfeitamente…mas sem vitalidade, sem um corpo presente, sem vida pulsando de verdade.

E o que pode devolver vida a um corpo… se não a dança?

E antes que venha o pensamento:

mas eu não sei dançar…

Eu não estou falando de performance. Não estou falando de passos certos, ritmo perfeito ou técnica.

Se dançar parece difícil pra você, começa fácil:

Respira, coloca uma música e fecha os olhos. Deixa a música entrar no seu sistema, não só pela audição, mas pelos poros.

Sente a música.

Visualiza o que ela te provoca. Deixa isso chegar.

E aos poucos, vai balançando seu corpo, como sentir vontade… vai dando expressão.

Você com você mesma.

As vezes seu corpo só está precisando dançar, se mexer sem julgamento ou performance.

MuDANÇA. Quando você dança… você muda.

Não tem como sair igual.

Oi, me chamo Anjali Clara, sou terapeuta corporal e escrevo sobre Corpo, Vida, Psicologia, com uma pitada de caos e uma humanidade visceral! ❤️‍🔥

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