Cansei de ”ter que”

um desabafo de quem cansou de ”ter que”.

Esse não é apenas um texto teórico, psicológico ou descritivo. É um desabafo.

Um desabafo de uma mulher para outra mulher.

De uma mulher que se desgastou inteira tentando ser algo que, profunda e verdadeiramente, não era. Que tentou caber, agradar e corresponder, tentou ser a mulher que esperavam dela. Até desabar, e sentir seus ossos ruírem, até experimentar dores físicas, emocionais e espirituais.

Mas foi a partir da queda que muito, começou a mudar.

Com muito custo e renúncias dolorosas de um ‘‘eu’’ que ela era e se identificava tanto, até então. Ela se levantou, e recuperou.

E percebeu que sua vida começou de verdade quando ela ousou ser. Ousou ser ela mesma. Porque nossa vida começa quando encontramos coragem para ser quem somos.

Mesmo que isso desagrade e decepcione, que não faça sentido para a família, para um relacionamento ou para sociedade.

Existe um preço em ser quem somos. Mas existe um preço muito maior que se paga com a saúde, tempo e vida, em passar uma existência inteira fingindo ser quem não somos…

E lá vai o desabafo:

CANSEI…

Cansei de ter que ser perfeita, sempre forte, compreensiva, evoluída, desapegada, permissiva. Cansei de ter que ser uma santa ideal.

Cansei de seguir ideias e crenças que não nasceram em mim. De tentar sustentar o insustentável só porque alguém disse que era o certo. Cansei de me culpar por não alcançar a idealização do outro. Outro que também está perdido, como tantos de nós, em uma sociedade tão perdida.

Cansei de tentar me encaixar no que dizem ser o correto. O ego, esse desejo incessante de ser alguma coisa, trava.

Se for pra ser, eu quero ser nada.

Cansei de ter que ser. Hoje eu apenas sou. Sou como sou.

Assumo minhas imperfeições, meu corpo, meu self, minhas emoções. Inclusive aquelas que me ensinaram a reprimir. A raiva. A tristeza. O medo. O cansaço profundo.

Escolho largar esse peso.

Não é simples. Nem sempre é bonito. Mas é necessário.

Necessário para viver a autenticidade do meu coração.

Aliás, assumi esse peso por medo.

Medo de rejeição.

Medo de não ser amada.

E esse medo me acompanhou por quase a vida inteira.

E tudo bem.

Porque esse medo me ajudou a sobreviver. Mas hoje eu escolho viver.

Ainda tropeço. Ainda duvido de mim. Ainda me pego tentando caber.

Mas aos poucos estou aprendendo que não preciso ser para ninguém.

Preciso apenas existir de forma verdadeira, acolhendo cada parte de quem eu sou.

(Escrita expressiva de 2023)

A mulher que vive tentando ser, se perde.

Perde seus ritmos, instintos, sua raiva, seus nãos, seu corpo.

Perde a capacidade de ouvir a própria alma porque está ocupada demais ouvindo o barulho e a opinião do outro.

Uma sociedade dizendo quem ela deveria ser ou não ser.

Mas e ela? O que ela quer? O que ela sente? O que nela está tentando nascer?

Sinceramente?! Hoje eu não quero ser nada.

Não quero ser exemplo, ser ideal, ser a mulher que inspira.

Quero apenas ser.

Ser quem eu sou..

Sendo contraditória sim, e sem problemas.

Intensa, amorosa, assumir meus sentimentos…. e também, aqueles que dão vergonha, como os ciúmes, a insegurança.

Me dar permissão para ser forte e bonita sem medo de parecer ser demais.

Ser por hora desastre…

Ser humana.

Porque é justamente quando eu paro de lutar contra quem sou que o selvagem volta a respirar dentro de mim.

E pra mim essa é a verdadeira liberdade… não a liberdade de ser perfeita. Mas a liberdade de parar de fingir e de fugir.

De parar de fingir ser quem não é, e de fugir de si e do que sente. Porque a vida começa, realmente, quando encontramos a coragem para ser quem é. Sem ‘’TER QUE’’ e ousando ser..

Mesmo que desagrade, decepcione, e isso custe algumas versões antigas de si mesma.

A vida começa quando começamos a ser, simplesmente o que somos.

Me chamo Anjali Clara, sou terapeuta corporal, e escrevo sobre psicologia, corpo, feminino. Com humanidade e vida pulsando. O caminho de simplesmente ser você mesma, é um caminho de autenticidade, da sua verdade interior, e ela pode ser sentida, gradativamente expressada construída, em um processo terapêutico profundo. Vamos juntas nesse mergulho corajoso, de autoconhecimento e expressão de quem tu és!

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