Se relacionar com intimidade ou fazer parte da epidemia da solidão?
[Para uma experiência mais imersiva nesse texto escute, caju, de Liniker. Disponível no final do texto].
Você pode estar em um relacionamento e ainda assim se sentir profundamente sozinha. Muitas vezes a solidão é estar acompanhada, e não ter verdadeira e inteira conexão com o outro.

Vivemos em uma epidemia de solidão e em tempos de intimidade artificial (termo criado pela psicoterapeuta Esther Perel). Nunca tivemos tantas formas de nos conectar, e ao mesmo tempo, nos sentimos profundamente sozinhas.
Conhecemos muitas pessoas, temos muito seguidores, matches em aplicativos de relacionamentos, curtidas em stories.
Mas quem sabe aquela memória marcante da nossa infância? Quem conhece nossos medos, nossas contradições, o que nos machuca e o que nos faz sentir vivos?
Entramos em uma relação querendo ser interessantes, e com medo de nos mostrarmos por inteiro. Então só mostramos aquilo que imaginamos que o outro vai gostar: o nosso lado mais interessante, mais bonito, mais resolvido.
E assim começa uma relação performática.
Porém a intimidade não nasce da performance. Ela nasce quando existe espaço para sermos quem somos. Com nossas pérolas e perebas.
Muitas vezes, nos relacionamos com a nossa imagem ideal e tentamos sustentar a imagem ideal que acreditamos que o outro espera de nós.
E como alguém não se sentiria sozinho se não pode ser quem realmente é?
“Seja sua melhor versão” é uma armadilha quando significa abandonar partes de si para ser aceito.
Ser nossa melhor versão é até fácil… Mas, e ser a sua versão verdadeira? Bom… isso exige coragem. MUITA.

Mostrar nossas fragilidades sem uma solução pronta, admitir nossas inseguranças, mostrar nossas contradições… é se arriscar ser vista de verdade e de criar intimidade.
No fundo, é isso que todos nós queremos: ser amados por quem somos, não por quem performamos ser.
Precisamos de intimidade. Precisamos de relações fortes que também nos deem força. Somos seres interdependentes.
👉Por isso, essa ideia de que você tem que se bastar sozinha é uma fantasia que nos afasta da nossa própria humanidade.
Podemos ser independentes, construir nossa vida, realizar nossos sonhos e ainda assim, desejar alguém que testemunhe tudo isso ao nosso lado.
- Quem é que celebra suas conquistas com você?
- Quem sabe quando você está fingindo estar bem?
- Quem conhece o significado do seu silêncio?

Esse vínculo profundo não nasce apenas em uma grande conversa de madrugada ou em uma declaração de amor no dia dos namorados.
A intimidade é construída no cotidiano. No café feito para o outro, na caminhada sem celular, no olho a olho, na curiosidade genuína. Quando ao invés de perguntar “o que aconteceu?” você pergunta: “como você se sentiu com isso?”. Quando você fala menos sobre suas opiniões e mais sobre suas experiências internas, quando compartilha uma insegurança sem precisar chegar com uma conclusão.
E também precisamos abandonar essa ideia de que amor leve é um amor sem conflitos.
Toda relação profunda vai encontrar diferenças, frustrações e desencontros. O conflito é necessário também, ele redireciona, proporciona autoconhecimento, e também, a forma como duas pessoas atravessam é justamente o que cria mais intimidade.

Quem sabe o peso do seu coração?
Precisamos de relações com intimidade! Ser quem é você, realmente, e com menos perfomance. Ser menos interessante e mais interessado sobre o outro e o seu profundo, seus mistérios.
clique aqui para escutar – caju.

Me chamo Anjali Clara. Sou terapeuta corporal e escrevo sobre o corpo, feminino e psicologia. Com humanidade e vida pulsando.


