Tenho refletido bastante sobre decisões.
(Para uma experiência mais imersiva nesse texto, sugiro, depois de ler escutar: O Poder que a Escolha Tem, de Ana Muniz.)
Para mim, decisão é um ato direcionado para uma escolha alinhada ao meu bem-estar, em confluência com o bem viver do todo ao qual pertenço.
E para você, o que é decisão? Vou adorar te ler nos comentários.
Gosto de pesquisar o significado das palavras e sua etimologia, porque muitas perderam profundidade com o uso cotidiano. Decisão significa determinar, resolver algo após ponderação. Vem do latim decidere: de (separação) + caedere (cortar). Decidir, portanto, é cortar fora, decepar, possibilidades. É abandonar alternativas para seguir um caminho.
E talvez por isso decidir doa tanto, às vezes.
Toda decisão carrega uma renúncia
Escolher é fácil quando uma opção parece claramente boa e a outra claramente ruim. O desafio aparece quando precisamos decidir entre duas possibilidades imperfeitas. Quando ambas têm ganhos e perdas. Quando qualquer escolha impacta profundamente a vida.
Toda decisão madura envolve luto.
Luto pelo que não será vivido.
Pelo caminho que não será seguido.
Pela versão de nós que ficará para trás.
Renunciar pode ser angustiante. Mas não renunciar também tem custo: permanecer paralisada, adiar a vida, viver em suspensão.

Depois da decisão vem a parte mais difícil: sustentar.
Muita gente acredita que o difícil é escolher.
Nem sempre.
Muitas vezes, o mais desafiador começa depois: sustentar a escolha quando surgem saudade, dúvida, medo, carência, culpa ou solidão.
Decidir terminar uma relação e sustentar o não voltar.
Decidir mudar de trabalho e sustentar a instabilidade inicial.
Decidir se respeitar e sustentar limites que desagradam outras pessoas.
Decidir priorizar saúde e sustentar novos hábitos.
Escolher abre a porta. Sustentar atravessa o caminho.
Dois crivo importante: isso favorece meu bem-estar? Isso fortalece o que é valioso para mim?
Se saúde é valor, muitas escolhas serão filtradas por isso.
Se respeito é valor, relações e ambientes serão escolhidos a partir disso.
Se liberdade é valor, certas estruturas deixarão de fazer sentido.
Se verdade é valor, talvez você precise parar de sustentar máscaras.
Valores organizam decisões.
Sem valores claros, escolhemos pelo impulso do momento, pelo medo ou pela opinião alheia.
E o coletivo? Outro crivo importantíssimo.
O bem viver coletivo. Somos seres interligados. A decisão de uma pessoa reverbera na vida de outras. Do que adianta tomar decisões que sempre beneficiam apenas o próprio ego e ignoram completamente o entorno?
Nem tudo precisa ser sacrifício pessoal, mas maturidade é considerar que fazemos parte de uma rede: família, comunidade, relações, natureza, sociedade.
Autonomia sem consciência coletiva vira egoísmo. Coletividade sem autonomia vira apagamento.
A sabedoria e a saúde está no equilíbrio.

Três centros importantes nas decisões:
Na psicologia corporal, podemos pensar em três centros importantes:
1. A mente
Analisa, planeja, compara e pondera. Fundamental para avaliar riscos e consequências.
2. O coração
Centro afetivo. Sente verdade, vínculo, abertura, tristeza, amor e desconforto. Quando pulsa livre, é um gui, uma bússola interna que orienta com profundidade.
3. A pelve / força vital
Relacionada ao instinto, vitalidade, impulso de ação, sexualidade, capacidade de dizer sim, dizer não, colocar limite e sustentar movimento.
Decisões saudáveis costumam integrar os três.
Quando decidimos só por um centro:
Só pela mente: a vida pode ficar lógica, porém fria. Segura, porém repetitiva. Correta, porém sem alma.
Só pelo coração: podemos confundir amor com dependência, carência ou medo de perder.
Só pelo instinto: decisões impulsivas, imediatistas, movidas apenas por sobrevivência, desejo ou conquista.
A integração amadurece a sua escolha.
A mente pergunta: faz sentido? Se alinha com meus valores?
O coração pergunta: como me sinto nisso?
A força vital pergunta: tenho energia para sustentar?

O não também precisa de força. E muitas de nós, mulheres, conhecemos isso profundamente na prática, por exemplo: sair de uma relação que não te respeita e sustentar o não voltar.
Dói de saudade.
Dói de desejo.
Dói da fantasia do que poderia ter sido.
Mas a realidade é que, muitas vezes, a relação não se sustentava no respeito, na disponibilidade, na segurança ou no amor maduro.
E decidir o não para essa relação, permanecendo firme, exige enorme força vital.
É aqui que muitas mulheres se perdem: na não sustentação. Voltam para “só mais uma vez”.
Mandam “só mais uma mensagem”.
Se agarram à esperança de que agora vai ser diferente. Não porque não há força nelas, e sim porque não acessa essa força vital.
Mas existe um caminho para aprender a sustentar: a terapia pode ajudar muito nesse processo.
Na terapia aprendemos a discernir melhor, perceber padrões, escutar o corpo, organizar valores, reconhecer medos, sentir o que evitamos e fortalecer musculatura emocional para sustentar escolhas.
Decidir não é só escolher entre opções. É tornar-se alguém capaz de bancar as próprias escolhas, de forma consciente, firme e disposta a viver as consequências de uma vida mais verdadeira e alinhada consigo mesma.
Música: o poder que a escolha tem.

Sou Anjali Clara. Terapeuta Corporal. Escrevo sobre o feminino, corpo, psicologia. Com humanidade e verdade.
Se você se percebe vivendo esse ciclo e deseja apoio para atravessar esse processo com mais consciência e força, os atendimentos terapêuticos estão disponível para seguirmos esse caminho juntas!


